Livro 7 – Abismo de Alvorada
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Nos tempos antigos de dor e faísca, quando a luz e as trevas dançavam, ariscas, houve uma rachadura entre céu e chão.
O Grande Expurgo, a desolação.
Primordiais, responsáveis por moldar o mundo, evaporaram ao vento, em silêncio profundo. Alguns ficaram, outros partiram, e os laços antigos… pouco a pouco se extinguiram.
Então Nawa, com olhos de alvorada, e Ashur, Guardião da muda alvorada, desceram à Terra por livre vontade, num tempo de sombras e ambiguidade. Entre os mortais, ocultos viveram. Em corpos humanos, paixões conheceram. Por conveniência, fingiam amor, porém o que era morno virou dessabor.
Ashur, tocado por chama diversa, viu numa humana sua sina reversa. Beatriz era riso, vento e maré e, por ela, o antigo ser deixou de ser quem é. Para esquecer, selou a memória ao rasgar páginas da sua história.
Já Nawa sentiu o peito destruído, ecoando em silêncio seu próprio destino. Sentindo o peso da rejeição, caiu num abismo de solidão. Tentou calar o sopro da vida, no gesto final de dor incontida. No entanto, um humano de alma ferida a encontrou entre as ondas da vida. Curou-lhe o peito, deu-lhe um lar. E Nawa retornou, aprendeu a amar.
Contudo, o passado nunca se cala: mesmo entre flores, a sombra embala. E assim se escreve a canção esquecida de dois Primordiais… de alma partida.
Umzingeli – Caçador de Andarilhos.




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