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Livro 7 – Abismo de Alvorada

  • há 2 dias
  • 1 min de leitura

Nos tempos antigos de dor e faísca, quando a luz e as trevas dançavam, ariscas, houve uma rachadura entre céu e chão.


O Grande Expurgo, a desolação.


Primordiais, responsáveis por moldar o mundo, evaporaram ao vento, em silêncio profundo. Alguns ficaram, outros partiram, e os laços antigos… pouco a pouco se extinguiram.


Então Nawa, com olhos de alvorada, e Ashur, Guardião da muda alvorada, desceram à Terra por livre vontade, num tempo de sombras e ambiguidade. Entre os mortais, ocultos viveram. Em corpos humanos, paixões conheceram. Por conveniência, fingiam amor, porém o que era morno virou dessabor.


Ashur, tocado por chama diversa, viu numa humana sua sina reversa. Beatriz era riso, vento e maré e, por ela, o antigo ser deixou de ser quem é. Para esquecer, selou a memória ao rasgar páginas da sua história.


Já Nawa sentiu o peito destruído, ecoando em silêncio seu próprio destino. Sentindo o peso da rejeição, caiu num abismo de solidão. Tentou calar o sopro da vida, no gesto final de dor incontida. No entanto, um humano de alma ferida a encontrou entre as ondas da vida. Curou-lhe o peito, deu-lhe um lar. E Nawa retornou, aprendeu a amar.


Contudo, o passado nunca se cala: mesmo entre flores, a sombra embala. E assim se escreve a canção esquecida de dois Primordiais… de alma partida.


Umzingeli – Caçador de Andarilhos.


 
 
 

Comentários


Palloma e Silvio - 080_edited.jpg

Olá, que bom ver você por aqui!

Apaixonado por boas histórias desde a adolescência, sou um escritor em constante busca por mundos mágicos e personagens inesquecíveis. Inspirado pela literatura fantástica, pela natureza e por minhas próprias vivências, trago à tona narrativas que misturam emoção, reflexão e aventura.

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